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Artigo: 8M: o caminho é o afeto, por @pjaycob

8M: o caminho é o afeto, por @pjaycob

8M: o caminho é o afeto, por @pjaycob

Tem duas coisas que guiam meus dias (sentimentos, pensamentos, existência): o cinema e a literatura.

Foi por meio de filmes e livros que tive contato com outros mundos, principalmente com a vasta gama de sentimentos, os bons e os ruins. Também foi por causa deles que entendi a importância do amor. bell hooks tem um ótimo, "tudo sobre o amor", que fala justamente sobre as expressões afetivas na sociedade e como somos criados coletivamente e individualmente (muitas vezes) a base da violência. Trocamos o referencial de acolhimento pelo da dor e do sofrimento, e quando menos esperamos, estamos lá aceitando qualquer coisa porque não sabemos exatamente como o amor funciona. 

Só que sentir é o maior presente de estar viva. Pense no tecido da roupa na pele, o vento no rosto num dia de sol, a água gelada escorrendo na garganta, os pés na terra ou no mar. Nossa pele nos reveste de possibilidades, nós sentimos o amor na ponta dos dedos também, no arrepio nas costas, no cheiro que inunda o quarto. Guardamos cada experiência no corpo, o que significa que amar e desejar caminham juntos aqui dentro. E a possibilidade de transcendência quando temos a sorte de finalmente entendermos isso com a mente, a língua, a carne é o que torna a nossa existência valiosa. 

 

Quando fui generosamente convidada pela @lojaclimax para escrever sobre sexualidade para homenagear o mês das mulheres, não conseguia pensar em outro caminho que não fosse pelo do afeto. O autoamor, o amor ao outro, o amor da paixão, do tesão, do colo, do cafuné, do olhar profundo, da troca verdadeira. Somos ensinadas a dissociar uma coisa da outra, mas, na verdade, elas são intrinsecamente ligadas – e não há nada de errado nisso, mesmo que dure um segundo, dois dias ou uma vida. 

 

Adoro essa cena do filme "Frances Ha" (2013), que elucida muito bem a ideia de instante, de troca verdadeira, de plenitude.

"E você olha para o outro lado da sala e ficam de olhos grudados, mas não porque são possessivos ou pela simples atração sexual, mas porque é aquela é sua pessoa nesta vida."

Uma coisa junto da outra. 

Que neste dia e todos os seguintes possamos olhar para nós com mais amor e cuidado.

Paula Jacob é jornalista e professora de literatura e cinema pelo viés da psicanálise

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