Conto erótico "NAMORO O MUNDO" ou "Prazer na Brasa"

"Atravessei muitos bairros no 485. Rodrigo já estava à minha espera no ponto final, com uma sacola cheia de cerveja e uma garrafa de vodka debaixo do braço. Tinha um galerão nos esperando na casa onde Amanda morava com a família e os cachorros. Pra entrar no clima, dividimos um latão no caminho, andando contra o fluxo de trabalhadores com rostos cansados. Na entrada, dois vira-latas caramelo abanando o rabo. Cumprimentamos os tios e partimos para o terraço onde a festa acontecia.


Som de todo tipo rolando na caixa. Gritos de alegria, amendoim de aperitivo e a carne na brasa. Admirei o pôr-do-sol como plano de fundo da igreja da Penha enquanto abria a segunda cerveja. Como é gostoso estar entre amigues tão querides.


Pedrinho era um dos conhecides mais recentes. Um gato, cabelo cacheado na altura dos ombros, pontas descoloridas, o sorriso largo e encantador. Ele me seduzia toda vez que sorria. Dividimos um drink pra lá de esquisito que bateu na hora. Misturar as bebidas também não ajudou no efeito. Sentei na escadinha que separava a quase pista do restante do espaço. Ele logo me fez companhia, abrindo a conversa elogiando minha tatuagem nova. Ficamos um tempão ali, trocando uma energia boa até não conseguirmos mais disfarçar a vontade. Sua língua brincava devagar com a minha.


Voltamos a conversar e Rodrigo surgiu com uma caipifruta pra gente experimentar. Estava forte. Começou a tocar "Californication" e ficamos os três ali cantando. Ele usava uma regata-manga-larga grandona que lhe cai muito bem.

Pedrinho provavelmente reparou que eu o admirava ou leu meus pensamentos. Se aproximou e disse baixinho:
- Você tá louca pra dar uns beijos nele né?
Fiquei surpresa e só consegui rir.
- Vai. Eu aposto que ele também quer...
Rodrigo estava mesmo me observando. Ficamos sem graça quando nosso olhar cruzou mas rapidamente voltamos a nos encarar. Sentou no degrau abaixo do meu, abraçando minhas pernas naturalmente, como bons velhos amigos. Só que dessa vez nossas bocas também queriam se abraçar. Pedrinho não só continuou ali como se divertiu com a situação. Tanto que ajudou puxando meus cabelos para trás quando Rodrigo chegou ao meu pescoço. Mordidas entre uma valsa e outra dos lábios.

A maminha ficou no ponto, o pãozinho de alho delicioso. O parabéns de Amanda foi épico e a festa continuava. Voltei a pegar Pedrinho. Sem querer (querendo?) estávamos próximos de Rodrigo de novo. Dessa vez meus olhos não desviaram, convidaram. De frente, comecei a beijar enquanto sentia Pedrinho se excitar. Seu membro ficando duro entre minhas nádegas, suas mãos apalpando meu quadril. Colocou meus cabelos pra trás novamente. Dessa vez para ele mesmo beijar a nuca enquanto Rodrigo se ocupava da boca. Queríamos prosseguir mas não podia ser ali, mesmo que ninguém ligasse pra gente no ápice da noite.

Arranjamos um quarto onde enfim ficamos nús. Me chuparam, primeiro Rodrigo, depois Pedrinho. Revezando enquanto se divertiam se assistindo. Encharcada, montei em Pedrinho que se acomodava na cama ao mesmo tempo que eu acomodava Rodrigo na minha boca, bem devagar.

Sentia meu clitóris inchar. Sentei abrindo para Rodrigo me lamber e dessa vez fui ao orgasmo, escorrendo enquanto brincava com Pedrinho em minhas mãos. Continuei até os dois gozarem, quase juntos. Primeiro Pedrinho, depois Rodrigo.

Que gostoso terminar a noite tendo tantos prazeres. Buscamos cerveja no cooler e continuamos no escurinho, batendo um papo filosófico e fumando cigarro.

Quando amanheceu, atravessei a cidade de volta pra casa."

 

Conto erótico de Jota Carneiro. Jota é carioca da gema, artista visual & ilustradora, dona e proprietária do Portal Xotânico. Lá você encontra mais textos como esses, além de poesias, ilustras & outras artes. Conheça mais do trabalho da artista em www.apoia.se/jotacarneiro ou @jota.carneiro

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primeiro toy? vem comigo